Como Funciona o Repasse na Ticketeira: Guia Completo para Produtores
Quando você escolhe uma ticketeira para vender os ingressos do seu evento, a pergunta que fica é sempre a mesma: “quando recebo meu dinheiro e quanto fica comigo?” O sistema de repasse é a peça que faltava na sua operação — não é mistério, é apenas números que precisam fazer sentido.
Neste guia, você vai entender como funciona o repasse de dinheiro na ST Ingressos e em ticketeiras em geral, quais são as deduções, prazos e como planejar seu fluxo de caixa sabendo quanto efetivamente vai entrar na sua conta.
O que é Repasse e Por que Existe?
Repasse é o pagamento que a ticketeira faz para você após vender os ingressos do seu evento. Não é 100% do preço de ingresso que você cobrou — existem custos entre a venda e você receber.
Pense na ST Ingressos como a intermediária entre seu cliente (quem compra o ingresso) e você (produtor do evento). A ST fornece:
- Plataforma de venda: site, app, integração com redes sociais, link direto
- Gateway de pagamento: processa cartão de crédito, débito, Pix, boleto
- Segurança: proteção contra fraude, PCI compliance, dados criptografados
- Suporte ao cliente: qualquer dúvida sobre ingresso, você não precisa lidar
- Relatórios em tempo real: quantos ingressos venderam, quanto entrou até agora
- Controle de acesso: validação de ingresso na entrada do evento
Esses custos (servidor, pessoas, licenças de pagamento, segurança) precisam ser cobertos por alguém. A ST distribui esses custos entre as seguintes deduções.
As Três Deduções do Repasse
Quando você vende um ingresso por R$100, o dinheiro que chega na sua conta não é R$100. Acontecem três coisas:
1. Taxa de Conveniência (TEC)
A taxa de conveniência é o que você cobra do seu cliente no final da compra. É aquele valor que aparece como “taxa da plataforma” no carrinho — geralmente entre 5% e 10% do preço do ingresso, dependendo do tipo de evento e da negociação.
Exemplo: ingresso custa R$100, você colocou TEC de 8%, seu cliente paga R$108.
Dessa TEC, a ST fica com uma parte (para cobrir os custos de infraestrutura, gateway, suporte) e você recebe outra parte (sua margem pela venda).
Regra importante: a TEC é responsabilidade sua como produtor. Você decide quanto cobrar. Mas quanto maior a TEC, menos competitivo seu preço fica — ninguém gosta de pagar taxa. Há uma negociação aqui entre margem e volume.
2. Taxa do Gateway de Pagamento
Toda vez que alguém compra um ingresso com cartão, Pix ou boleto, a instituição financeira cobra uma taxa. Essa taxa varia:
- Cartão de crédito à vista: ~2,5% do valor do ingresso
- Cartão de crédito parcelado: ~2,5% mais juros
- Pix: ~1% a 1,5%
- Boleto: ~1% a 1,5%
Essa taxa é deduzida ANTES do dinheiro chegar na sua conta. A ST não fica com esse valor — é literalmente o custo do banco para processar a transação.
Exemplo: cliente compra ingresso de R$100 com cartão. A ST recebe apenas R$97,50 do banco. Os R$2,50 foram para o banco processar aquela transação.
3. Retenção (Garantia de Chargeback)
Chargeback é quando o cliente liga pro banco e diz “não reconheço essa compra” ou “não recebi o que comprei”. O banco devolve o dinheiro e a ST fica no prejuízo.
Para se proteger, a ST retém uma porcentagem (geralmente 3%) do seu repasse por 90 dias. Se nesse período não houver chargeback, você recebe a retenção de volta. Se houver, a ST desconta da retenção.
Exemplo: você vendeu R$10.000 em ingressos. A ST retém R$300 (3%). Se não houver chargeback, depois de 90 dias você recebe os R$300 de volta. Se houver um chargeback de R$500, a ST tira dos R$300 de retenção e você continua devendo R$200 (que sai da próxima cobrança).
Por que isso existe: produtores costumam desaparecer quando há chargeback — não têm estrutura para responder. A retenção garante que sempre há um “colchão” para cobrir esses problemas.
Fórmula Real do Repasse
Juntando tudo, a fórmula é:
Seu Repasse = (Preço do Ingresso + TEC) − Taxa Gateway − Retenção (3% por 90 dias)
Exemplo concreto:
- Preço do ingresso que você anunciou: R$100
- Taxa de conveniência que você cobrou: R$8 (8%)
- Cliente paga: R$108
- Taxa do gateway (cartão de crédito, 2,5%): −R$2,70
- Retenção (3%): −R$3,24
- Você recebe na hora da venda: R$100,06 (depois a retenção volta se não houver chargeback)
Isso significa que você recebe quase a totalidade na hora, mas 3% fica retido por 90 dias como “garantia”.
Quando Você Recebe (Prazos de Repasse)
Diferente do que muitas pessoas pensam, não é “depois que o evento acaba que você recebe”. O dinheiro começa a chegar ANTES do evento.
Fluxo típico:
- Durante a venda (antes do evento): a cada venda, a ST transfere o repasse para sua conta (menos retenção). Você pode acompanhar em tempo real no painel
- Depois do evento: as últimas vendas (se houver) são processadas no mesmo fluxo
- 90 dias depois: a retenção é liberada (se não houver chargeback)
Regra do banco: os repasses saem da ST para sua conta em até 2 dias úteis após a venda. A ST não segura seu dinheiro; o banco que toma esse tempo.
Se você colocou sua conta errada ou ela estava bloqueada, a ST tenta transferir novamente por alguns dias. Se passar desse período, você precisa abrir um chamado.
Negociando Melhor: Taxa de Conveniência
A TEC é a ÚNICA coisa que você pode negociar com a ticketeira. As outras (taxa de gateway e retenção) são fixas para todos.
Aqui é onde você aprende a lidar com a matemática:
TEC alta (12%+): você ganha mais margem por ingresso, mas o cliente vê caro e compra menos. Bom para eventos que já têm demanda garantida (seleção de público, convite específico).
TEC baixa (3-5%): cliente vê barato, vende mais volume. Bom para eventos de venda aberta, onde precisa de impulso nas redes sociais.
TEC média (7-8%): equilíbrio. Cliente não acha tão caro, você ainda tem margem interessante.
Teste para ver qual TEC funciona melhor pro seu tipo de evento. Dica: comece na média e ajuste conforme vê a reação do público.
Os Erros Mais Comuns Que Produtores Cometem
Erro 1: Esquecer que a TEC sai do bolso do cliente
Muitos produtores colocam ingresso por R$100 e TEC de 10%, achando que vão receber R$110. Não: o cliente vai desembolsar R$110 total, não R$100 mais taxa. A TEC precisa estar embutida no preço que o cliente está disposto a pagar.
Erro 2: Contar com 100% de repasse antes de 90 dias
Se você vendeu R$50.000 e contou R$50.000 no seu fluxo, vai descobrir que R$1.500 (3% de retenção) ainda não está em mão. Planeje considerando a retenção como “dinheiro que chega depois”.
Erro 3: Não acompanhar o painel em tempo real
A ST oferece relatórios ao vivo. Muitos produtores só olham depois do evento e aí vira surpresa. Olhe durante a venda para ajustar estratégia se necessário.
Erro 4: Culpar a ticketeira por ter que cobrar taxa
A taxa existe porque você está usando infraestrutura que custa dinheiro. Uma alternativa é montar sua própria bilheteria, o que custa muito mais. Aceite a taxa como custo de operação — ela é justificável.
Comparando com Bilheteria Própria
Se você monta sua própria bilheteria (servidor, domínio, gateway próprio), você elimina a TEC da ST, mas assume:
- Custo de servidor e domínio: ~R$100-300/mês
- Custo de gateway de pagamento: ainda paga 2-3% para o banco
- Seu tempo desenvolvendo e mantendo: horas que não volta
- Suporte técnico: você responde quando cai
- Risco jurídico: você é responsável por proteção de dados
Bilheteria própria faz sentido se você vende mais de 10.000 ingressos/mês. Até lá, a TEC da ticketeira é mais barata que seus custos fixos.
Dúvidas Frequentes Sobre Repasse
P: Se houver chargeback, eu fico devendo?
R: Se a retenção (3%) cobrir o chargeback, não. Se o chargeback for maior que a retenção, sim — a ST cobra a diferença da sua próxima venda.
P: Posso pedir para não cobrar TEC?
R: Tecnicamente sim, mas aí você recebe menos (porque a ST ainda fica com parte do gateway). Além disso, TEC zero assusta cliente — parece que algo tá errado. A TEC comunica “isso aqui é profissional”.
P: Quando sai a retenção de volta?
R: 90 dias depois da última venda do evento. Se o evento foi 15/08 e a última compra foi 20/08, a retenção sai 20/11.
P: E se eu não vender nenhum ingresso?
R: Não há repasse, não há taxa. Evento que não vende é prejuízo só seu.
O Repasse é Justo?
Sim. Veja o custo real:
- Gateway de pagamento: 2,5% (não negocia, banco cobra)
- Segurança e retenção: 3% (necessário para proteger a ST e você)
- TEC: aqui sim tem margem da ST, mas você negocia
Total garantido: 5,5%. Com TEC de 7-8%, total fica entre 12,5-13,5% — comparável com qualquer ticketeira ou até mais barato.
O importante é que você entenda cada linha, não simplesmente aceitar um número.
Próximas Ações
Agora que você entende o repasse:
- Calcule sua TEC ideal para seu tipo de evento
- Coloque essa TEC no seu preço de ingresso (cliente vê total, não ingresso + taxa separado)
- Acompanhe o painel ao vivo durante a venda (não deixa pra ver depois)
- Planeje seu fluxo considerando a retenção (dinheiro chega em 90 dias)
- Se tiver dúvida sobre um chargeback específico, abra chamado na ST — a gente explica
Seu evento merece operar com transparência. Agora você tem.
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